Exames de trombofilia: quando e para quem?

trombofilias e gravidez

Trombofilia é tema importante e que gera muitas dúvidas para mulheres tentantes e grávidas. Venha saber mais sobre exames de trombofilias e gravidez!

Trombofilia é uma condição genética ou adquirida em que há uma tendência à formação de trombos ou coágulos no sangue, levando à obstrução dos vasos sanguíneos. Em consequência disso, desenvolvem-se problemas como infarto, AVC ou embolia pulmonar.

trombofilia e gravidez
As trombofilias podem ser hereditárias ou adquiridas.

A gravidez, por si só, é uma condição que favorece à trombose, ou seja, à formação de trombos ou coágulos nos vasos sanguíneos. Essa é uma situação intrínseca à condição de grávida e vai ocorrer em todas as gestantes, independente ou não de mutações genéticas.

Sinais da gravidez: como desconfiar se posso estar grávida?

Como saber se uma mulher tem trombofilia?

Primeiramente, é importante deixar claro que a pesquisa de trombofilias não deve ser feita para toda mulher, nem para toda grávida. Os estudos científicos mostram que não há benefícios nesse rastreamento universal. Por isso, recomenda-se a pesquisa de trombofilias para um grupo específico de mulheres, como pacientes com história de aborto de repetição. Mesmo para estas, é necessário critério na solicitação de exames, de forma a garantir uma gestação saudável e o melhor cuidado.

Curetagem ou AMIU: conheça as diferenças

trombofilias e gravidez
A pesquisa de trombofilias durante a gravidez deve ser feita para um grupo específico de mulheres, como as com história de abortamentos de repetição.

Sinais e sintomas da gravidez que não podem ser ignorados

Quais exames NÃO devem ser feitos?

De acordo com recomendações científicas atuais, os exames abaixo não devem ser realizados:

– Homocisteína

Níveis aumentados parecem não ter relação com eventos trombóticos. O uso do ácido fólico e de polivitamícos pode alterar a dosagem da homocisteína.

Ferro na gravidez: saiba a importância desse nutriente

– Polimorfismos MTHFR 

Estudos científicos de boa qualidade não encontraram aumento significativo no risco de trombose ou embolia entre indivíduos homozigotos para polimorfismos MTHFR.

– PAI-1

Não há evidência para testar nem mesmo em mulheres com resultados adversos da gravidez. Assim como os resultados de testes anteriores não devem influenciar as decisões sobre usar ou não tratamentos durante a gravidez.

– Dosagem do Fator VIII

Níveis elevados não devem ser vistos como uma trombofilia hereditária.

Além disso, as dosagens dos níveis de fator VIII não foram padronizadas e não há informações sobre a interpretação dos níveis de fator VIII na gravidez no que diz respeito ao risco favorável à trombose.

Por que não pesquisar o PAI-1?

inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1 (PAI-1) é um dos fatores responsáveis por regular a coagulação do sangue. Portanto, se presente em maiores concentrações, há um maior risco para eventos trombóticos. Para determinação do PAI-1, dois alelos podem estar presentes: o alelo 4G e o alelo 5G. O alelo 4G leva a maiores concentrações de PAI-1, aumentando a coagulação do sangue, enquanto que o alelo 5G resulta em menores níveis de PAI-1 circulantes.

Dessa forma, a presença do alelo 4G está associada ao risco aumentado de eventos tromboembólicos e doenças cardiovasculares, com risco de 20% para o infarto do miocárdio. Esse risco é maior principalmente em pessoas com dois alelos 4G do gene PAI (chamados homozigotos), o que aumenta em 2 vezes o risco de ter trombose. Além disso, altas concentrações de PAI-1 são encontradas em mulheres com aborto precoce de origem desconhecida. Nesses casos, a presença do alelo 4G em homozigose pode explicar esse fato. A boa notícia é que uma pequena parcela da população são homozigotos (4G/4G) para esse subtipo trombogênico.

Já polimorfismo 4G/5G é uma variação comum do gene do PAI-1. Estima-se que 50% da população possua esse polimorfismo. Nesses casos, os estudos científicos não são claros se há um aumento de risco para trombose ou não.

trombofilias e gravidez
É importante fazer a diferenciação entre os alelos 4G e 5G do gene PAI-1 para determinar se há ou não um risco maior de trombofilias.
Trata-se de uma área em que muitos estudos científicos ainda estão sendo realizados. Portanto, deve-se ter cautela quanto às recomendações para a população, especialmente para as mulheres grávidas ou que querem engravidar. Os estudos já disponíveis e que associam estes genótipos à pré-eclâmpsia e outros eventos adversos na gravidez têm muitas limitações. Dessa forma, não fornecem nenhuma evidência para que seja recomendado testar mulheres com resultados adversos em gravidezes prévias ou para influenciar no manejo obstétrico.O que é pré-eclâmpsia: entendo TUDO sobre hipertensão na gravidez

O que muda na gravidez de uma mulher com trombofilia?

Alguns cuidados precisam ser tomados em mulheres grávidas que possuem trombofilias. Esses cuidados são definidos a partir de uma avaliação de risco individualizada, que é feita em conjunto pelo médico obstetra e por um médico hematologista. Desta forma, a prevenção do tromboembolismo, ou seja, a trombose dos vasos sanguíneos, é realizada de acordo com este risco calculado.

O que muda no parto de uma mulher com trombofilia?

É importante que a mulher saiba que a presença de trombofilia não muda a via de parto, isto é, uma mulher com trombofilia não tem maior chance de ter cesariana e nem precisa ter sua gravidez encurtada. Além disso, também não há indicação para indução do parto eletiva (ou seja, antes que a mulher entre em trabalho de parto) para gestantes que possuem trombofilias.

Indicações reais e fictícias de cesariana

A anticoagulação deve ser descontinuada no início do trabalho de parto, ou antes da indução, ou do parto cesáreo. Isso deve ser feito para diminuir o risco de complicações hemorrágicas, incluindo aquelas relacionadas à realização da anestesia raquidiana ou peridural. O tempo entre a parada do medicamento e o parto depende de uma série de questões, como o tipo e a dose de anticoagulante.

trombofilias e gravidez
Nas mulheres que fazem uso de anticoagulantes, deve ser cessado as doses ao entrar em trabalho de parto ou antes da cesariana.

Após o parto, como é o cuidado da mulher com trombofilia? 

Após o parto, o uso de anticoagulantes será mantido de acordo com o grau de risco para a mulher. Esse risco está relacionado principalmente à chance de trombose dos vasos vasos sanguíneos. Assim, muitas irão continuar o uso dos anticoagulantes por mais um período após o parto.

Métodos contraceptivos pós parto

A heparina pós-parto deve ser iniciada cerca de 4 a 6 horas após um parto vaginal ou 6 a 12 horas após um parto cesáreo, considerando pacientes com sangramento pós-parto normal. A Varfarina, outra medicação que pode ser usada no pós-parto de pacientes com trombofilia, pode ser iniciada imediatamente após o parto, uma vez que leva alguns dias para se atingir a anticoagulação.

Varfarina, heparina de baixo peso molecular (HBPM ou Enoxaparina) e heparina não fracionada (HNF) não se acumulam no leite materno e não induzem efeito anticoagulante na criança. Portanto, esses anticoagulantes podem ser usados ​​em mulheres que amamentam.

Assista à essa live do Instituto Villamil sobre trombofilias:

Leia mais:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on tumblr
Share on google
Share on pinterest

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

WhatsApp chat