Trabalho de parto prematuro: o que fazer?

sangramento na gravidez

O trabalho de parto prematuro  acontece quando ocorre antes das 37 semanas de gestação e é considerado uma condição de emergência para as gestantes.

A pesquisa “Nascer no Brasil”, realizada pela fundação Oswaldo Cruz, evidenciou que a chance de uma mulher brasileira apresentar um parto prematuro é quase duas vezes maior do que a de uma mulher europeia. Por esse motivo, é importante que as gestantes tenham conhecimento dos possíveis sinais e sintomas e da importância de buscar por assistência médica.

 

O que é o trabalho de parto prematuro?

As gestações usuais duram cerca de 37 a 42 semanas, sendo esperado que a parto ocorra por volta das 40 semanas. Um parto prematuro consiste em um parto que ocorre antes de 37 semanas de gestação.

Entrar em trabalho de parto prematuro não determina que esse parto ocorrerá, de fato, prematuramente, mas, essa condição demanda atenção médica imediata.

 

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Quais são os sinais e sintomas de um parto prematuro?

Durante o trabalho de parto prematuro, a gestante pode sentir:

– Cólicas abdominais leves, com presença ou não de diarreia;

– Mudanças no tipo de corrimento vaginal – aquoso, sanguinolento ou com muco – e aumento de volume;

– Pressão na região pélvica ou nos andares mais baixos do abdome;

– Dor lombar constante.

– Contrações uterinas, usualmente sem dor, regulares ou frequentes;

– Rotura de membranas, seja rompimento da bolsa amniótica com um jorro ou com gotejamento constante.

Frente a algum desses sinais ou sintomas, é importante procurar imediatamente por assistência médica.

As mudanças pelas quais o colo uterino passa durante um trabalho de parto prematuro podem se manifestar com sintomas como cólicas ou dores no baixo ventre. O médico deve ser procurado nessas situações.
As mudanças pelas quais o colo uterino passa durante um trabalho de parto prematuro podem se manifestar com sintomas como cólicas ou dores no baixo ventre. O médico deve ser procurado nessas situações.

 

O que acontece no corpo da mulher durante o trabalho de parto prematuro?

Cérvix não está apagado ou dilatado
Durante o trabalho de parto prematuro ocorre o apagamento e a dilatação do colo uterino.

Durante o trabalho de parto prematuro, as  contrações uterinas causam apagamento (ou seja, afinamento) e/ou abertura (dilatação) do colo uterino.

O parto prematuro é diagnosticado quando as alterações no colo uterino são encontradas após o início das contrações.

Em alguns casos esse mecanismo pode ser interrompido por conta própria. Isto acontece em 3 a cada 10 mulheres.

Caso os sintomas não se interrompam por conta própria, deve ser instituído tratamento adequado  na tentativa de atrasar o parto.

Em alguns quadros também são realizados  tratamentos para reduzir o risco de complicações caso a criança nasça.

 

Quais os riscos do trabalho de parto prematuro?

Crianças prematuras podem nascer com condições sérias de saúde, como paralisia cerebral, que podem ser definitivas para curso da vida do bebê.

Outros problemas como dificuldades de aprendizado podem estar relacionados com o parto prematuro e aparecerem posteriormente na vida infantil ou até adulta.

Quais exames fazer  quando há suspeita de trabalho de parto prematuro?

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Existem alguns exames que podem ser solicitados quando existe suspeita de um trabalho de parto prematuro, como um exame de ultrassom para estimar a idade gestacional ou checar o tamanho do feto.

Frente aos sinais e sintomas de parto prematuro, a mulher deve ser submetida a alguns exames:

  • Monitorização das contrações uterinas: Pode ser realizada com a mão do examinador (médico ou enfermeiro) sobre o abdome materno ou com um aparelho de cardiotocografia. Serve para detectar a presença de contrações uterinas.
  • Exame de toque cervical:  Serve para identificar se o colo uterino está apresentando mudanças  com as contrações que estão acontecendo. O colo é avaliado e esta avaliação é comparada algumas horas depois. Quando existe um trabalho de parto o colo muda, isto é, ele apaga e/ou dilata com o passar das horas.
  • Ultrassom obstétrico: Avaliação da biometria fetal (tamanho do bebê) para checar seu desenvolvimento, seu bem-estar, função e localização placentária, quantidade de líquido amniótico.
  • Teste de fibronectina fetal: Este exame

 

– Swab vaginal para testar a presença de fibronectina fetal. Essa é uma proteína que atua como um adesivo ou “cola biológica”, que liga o saco amniótico ao interior uterino.

 

O que fazer frente a um trabalho de parto prematuro?

O manejo dessa condição envolve uso de medicações para atrasar o nascimento ou auxiliar na maturação do organismo do bebê.

O tratamento que será proposto irá se basear no que for melhor tanto para a mãe quanto para o bebê. Caso atrasar o parto seja a melhor alternativa, medicações podem ser administradas, como medicamentos que objetivam promover maturação os órgãos da criança mais rapidamente. Caso o trabalho de parto já esteja muito avançado para usar estratégias para atrasá-lo, o parto pode ser necessário. É importante que esse parto seja realizado em uma maternidade com recursos suficientes para prover todos os cuidados a um bebê prematuro.

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Quais medicações que preparam o bebê para um nascimento antes da hora?

Essas medicações são os corticoides, o sulfato de magnésio e tocolíticos.

Corticóides:

Os corticoides podem ajudar acelerando o desenvolvimento dos pulmões, cérebro e órgãos digestivos do feto. Uma dose de corticoide pode ser recomendada entre 24 e 34 semanas de gestação para aquelas mulheres que apresentam risco de parto dentro de 7 dias, incluindo aquelas com rotura de membrana e gestando mais de uma criança. normalmente, os benefícios são observados 2 dias após a administração da medicação, sendo alguns benefícios percebidos com 24 horas. A repetição da dose de corticoide pode ser feita caso a dose prévia tenha sido administrada há mais de 14 dias e o risco de parto nos próximos 7 dias exista.

 

Sulfato de magnésio:

Quando administrado antes de um parto prematuro, o sulfato de magnésio pode ajudar a reduzir o risco de paralisia cerebral e problemas de movimentação física. Essa medicação pode ser tomada caso a mulher esteja com menos de 32 semanas de gestação e com risco de parto nas próximas 24 horas. Essa medicação pode trazer alguns efeitos colaterais como ondas de calor, visão borrada e fraqueza.

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Tocolíticos:

Tocolíticos são medicações usadas para atrasar o trabalho de parto, em alguns casos em até 48 horas. Se o trabalho de parto for adiado por pelo menos algumas horas, isso pode permitir que haja mais tempo para administrar corticoides e o sulfato de magnésio. Esse atraso pode também garantir tempo suficiente para transferir a gestante para um hospital com capacidade de promover um cuidado especializado a um bebê pré termo.

Essa medicação pode ser administrada quando a equipe médica avalia que os benefícios de tomar são maiores que os riscos. Normalmente não são administrados quando:

–  Existem sinais de trabalho de parto pré-termo, mas sem alterações no colo uterino;

– Quando o parto é a melhor opção para mãe e para a criança;

– Quando a progressão do trabalho de parto prematuro foi interrompida.

Os tocolíticos podem apresentar efeitos colaterais para a mulher, alguns deles graves.

 

O que acontece quando nasce um bebê prematuro?

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O cuidado com o bebê prematuro depende de quão prematuro o parto ocorreu. O bebê pode ficar internado em uma unidade de cuidado intensivo (UTI) neonatal por algum tempo.

Caso o parto prematuro venha ocorrer, uma equipe de saúde especializada irá cuidar da criança. Nesse time pode estar incluído um médico pediatra neonatologista.

O cuidado com o bebê depende de quão prematuro o parto ocorreu. Uma unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal, promove cuidado especializado a bebês prematuros.

Algumas crianças necessitam de permanecer internadas sob esses cuidados por mais tempo, de semanas a meses.

Gravidez de gêmeos

 

O que aumenta o risco de uma mulher ter parto prematuro?

O parto prematuro pode ocorrer sem nenhum aviso. Porém, existem alguns fatores de risco como parto prematuro em gestação anterior.
O parto prematuro pode ocorrer sem nenhum aviso. Porém, existem alguns fatores de risco como ter tido parto prematuro em gestação anterior.

Trabalho de parto prematuro pode ocorrer a qualquer pessoa sem sinais de alarme. Apesar de que a maioria das mulheres que entram em trabalho de parto prematuro apresentam fatores de risco, existem alguns aspectos que podem aumentar o risco de ocorrência dessa condição. São eles:

História médica:

– Parto prematuro em gestação anterior;

– Colo uterino curso, identificado em exame de ultrassom transvaginal;

– Dilatação cervical precoce, medida durante o exame pélvico de toque;

– Procedimentos ginecológicos prévios no colo uterino;

– Lesão durante parto anterior.

Complicações na gestação:

– Gestação múltipla;

– Sangramento vaginal durante a gestação;

– Infecções durante a gravidez.

Estilo de vida:

– Baixo peso antes de engravidar;

– Fumar durante a gravidez;

– Deficiências alimentares;

Outros fatores:

– Idade inferior a 17 anos ou superior 35 anos.

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É possível prevenir o parto prematuro?

Um fator de risco importante para parto prematuro é ter essa ocorrência em gestações prévias, sendo o risco 2 a 3 vezes maior. No entanto, existem tratamentos que podem auxiliar a diminuir as chances de um trabalho de parto antes da hora.

Esses tratamentos podem incluir:

Progesterona vaginal: esse tratamento pode ser feito mesmo se a mulher não tenha um parto prematuro anterior, porém apresente o colo uterino curto com 24 semanas de gestação ou antes. A progesterona vaginal é um gel ou supositório que é colocado na vagina todos os dias até as 37 semanas, caso o parto não ocorra antes dessa data.

Cerclagem: a cerclagem é um procedimento cirúrgico que é feito em mulheres com colo curto e que tiveram parto prematuro em gestações anteriores.  Nesse procedimento são feitas algumas suturas no colo uterino.

Pessário cervical: o pessário cervical é um instrumento em forma de um donut, feito de silicone, inserido em volta do colo do útero quando a avaliação cervical indica alto risco de parto prematuro.

 

Para mulheres que tiveram um parto prematuro anteriormente, a cerclagem pode ser uma indicação. É um procedimento cirúrgico que é feito em mulheres com colo curto e são feitas algumas suturas no colo uterino.
Para mulheres que tiveram um parto prematuro anteriormente, a cerclagem pode ser uma indicação. É um procedimento cirúrgico que é feito em mulheres com colo curto e são feitas algumas suturas no colo uterino.

 

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Enquanto a cerclagem é um procedimento cirúrgico, o pessário é um material de plástico, inserido de maneira mais símples.

 

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