O que é Pré-eclâmpsia? Entenda TUDO sobre hipertensão na gravidez

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É muito comum ouvirmos falar sobre aumento da pressão na gravidez e sobre a tal pré-eclâmpsia. Mas o que é pré-eclâmpsia? É a mesma coisa que pressão alta? Por que as pessoas tem tanto medo da tal “eclâmpsia”? Entenda isso e muito mais neste texto!
Para começar, é preciso entender que a pré-eclâmpsia é um distúrbio grave da pressão arterial que pode afetar todos os órgãos do corpo da mulher

O que é hipertensão ou “pressão alta”?

Pressão arterial (PA) é aquela que sangue faz contra as paredes das artérias quando o coração bombeia o sangue para o corpo. Quando a PA se encontra acima dos valores normais, chamamos de hipertensão ou “pressão alta”. A hipertensão pode levar a diversos problemas de saúde. Quando ocorre durante a gravidez, a hipertensão grave ou descontrolada pode causar complicações para a gestante a para o bebê.

E quando a gestante já é hipertensa?

A hipertensão crônica é a pressão alta que já estava presente antes da gravidez ou que surge no primeiro semestre (antes de 20 semanas) da sua gravidez. A classificação para a pressão arterial é a seguinte:
  • Normal: PA sistólica menor que 120 e diastólica menor que 80, famoso “12 por 8”;
  • Elevada: PA sistólica entre 120-129 e diastólica inferior a 80 mmHg;
  • Hipertensão estágio 1: PA sistólica entre 130 e 139 e/ou diastólica entre 80 e 89 mmHg;
  • Hipertensão estágio 2: sistólica maior ou igual a 140 e/ou diastólica maior ou igual a 90 mmHg.

O que é hipertensão gestacional?

A hipertensão gestacional é a hipertensão arterial que ocorre pela primeira vez no segundo semestre (após 20 semanas) da gravidez. Embora a hipertensão gestacional geralmente desapareça após o parto, há um risco aumentado de desenvolver hipertensão no futuro.

Que tipos de problemas a pressão alta pode causar durante a gravidez?

A hipertensão arterial durante a gravidez pode causar uma sobrecarga no coração e nos rins e aumenta o risco de doença cardíaca, doença renal e derrame (acidente vascular encefálico – AVE). Outras possíveis complicações incluem o seguinte:
  • Restrição do crescimento fetal – A pressão alta pode diminuir o fluxo de nutrientes para o bebê através da placenta, afetando o seu crescimento;
  • Pré-eclâmpsia – Esta condição é mais comum em mulheres com hipertensão crônica do que em mulheres com pressão arterial normal até 20 semanas de gravidez;
  • Parto prematuro – Se a placenta não fornecer nutrientes e oxigênio suficientes para o feto, um parto precoce pode ser indicado se for melhor para a saúde do bebê e da mãe;
  • Descolamento de placenta – Esta condição, na qual a placenta se desprende prematuramente da parede do útero, é uma emergência médica que requer tratamento imediato;
  • Cesariana – Mulheres com hipertensão são mais propensas a ter cesariana do que mulheres com pressão arterial normal. Como se trata de uma cirurgia, acarreta riscos de infecção, lesão de órgãos internos e sangramento.

Como é o manejo da hipertensão crônica durante a gravidez?

A pressão arterial deve monitorada de perto durante a gravidez, em todas as consultas de pré-natal, podendo haver necessidade de aferir inclusive em casa.  Além disso, exames de ultra-som podem ser feitos durante a gestação para acompanhar o crescimento do bebê. Quando a hipertensão é leve, a pressão arterial pode permanecer assim ou mesmo voltar ao normal durante a gravidez, e a medicação pode ser interrompida ou reduzida. Se a hipertensão é grave ou se houver complicações relacionadas à pressão alta, pode ser necessário iniciar, continuar ou trocar a medicação anti-hipertensiva durante a gravidez.

Mas e a pré-eclâmpsia? O que é?

A pré-eclâmpsia ocorre quando a mulher tem pressão alta e outros sinais de que seu organismo não está funcionando normalmente. Um desses sinais é a proteinúria (uma quantidade anormal de proteína na urina). Uma mulher com pré-eclâmpsia cuja condição está piorando, poderá desenvolver outros sinais e sintomas conhecidos como “sinais de gravidade”, tais como:
  • contagem de plaquetas abaixo do normal;
  • função renal ou hepática anormal;
  • dor na parte superior do abdome;
  • alterações na visão;
  • líquido nos pulmões;
  • dor de cabeça severa;
  • grande elevação da pressão arterial.

Quando ocorre a pré-eclâmpsia?

Geralmente ocorre após 20 semanas de gravidez, principalmente no terceiro trimestre. Quando ocorre antes de 32 semanas de gravidez, é chamado de pré-eclâmpsia precoce. Também pode ocorrer no período pós-parto.  

O que causa a pré-eclâmpsia?

Não está claro por que algumas mulheres desenvolvem pré-eclâmpsia, mas o risco de desenvolver pré-eclâmpsia é aumentado nas seguintes situações:
  • Primeira gestação;
  • Pré-eclâmpsia em uma gravidez anterior ou histórico familiar de pré-eclâmpsia;
  • História de hipertensão crônica, doença renal ou ambos;
  • Mulheres com 40 anos ou mais;
  • Gestação múltipla (gemelar);
  • Apresenta certos problemas de saúde, como diabetes, trombofilia ou lúpus;
  • Obesidade;
  • Fez fertilização in vitro (FIV)

Quais são os riscos para o bebê se ocorrer pré-eclâmpsia?

Se ocorrer pré-eclâmpsia durante a gravidez, pode haver necessidade de um parto prematuro. Os bebês que nascem antes da hora têm um risco aumentado para complicações sérias, como problemas respiratórios e sepse, que ameaçam a vida do bebê, podendo necessitar de cuidados médicos contínuos.

Quais são os riscos para a grávida se ocorrer pré-eclâmpsia?

As mulheres que tiveram pré-eclâmpsia – especialmente aquelas cujos bebês nasceram prematuros – têm um risco aumentado mais tarde na vida de doenças cardiovasculares e doenças renais, incluindo infarto, acidente vascular encefálico (derrame) e hipertensão crônica. O risco de desenvolver pré-eclampsia em uma gravidez futura também fica aumetado. Além disso, pré-eclâmpsia pode levar a convulsões, uma condição chamada “eclâmpsia”, e também pode à “síndrome HELLP”.

O que é a síndrome HELLP?

HELLP é uma sigla em inglês significa hemólise (Hemolytic anemia), elevação das enzimas hepáticas (Elevated Liver enzymes) e baixa contagem de plaquetas (Low Platelet count). Nessa condição, as células vermelhas do sangue são danificadas ou destruídas, a coagulação do sangue fica prejudicada e o fígado pode sangrar internamente, causando dor torácica ou abdominal. A síndrome HELLP é uma emergência médica, pois é uma condição que pode levar até mesmo à morte ou ao desenvolvimento de problemas de saúde para o resto da vida.

Quais são os sinais e sintomas da pré-eclâmpsia?

  • Inchaço do rosto ou das mãos;
  • Dor de cabeça persistente;
  • Visão turva ou com manchas;
  • Dor no abdome superior ou no ombro;
  • Náusea e vômito (na segunda metade da gravidez);
  • Ganho de peso repentino;
  • Dificuldade ao respirar.

Como é o manejo da hipertensão gestacional leve ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade?

O manejo da hipertensão gestacional leve ou da pré-eclâmpsia sem sinais gravidade pode ser hospitalar ou ambulatorial (assim a paciente fica em casa com um acompanhamento mais atento do seu profissional de saúde). Pode ser necessário solicitar que a gestante acompanhe dos movimentos de seu bebê e meça sua pressão arterial em casa. Além disso, deve ocorrer pelo menos uma consulta por semana e quando a gestação completar 37 semanas, pode ser recomendada a indução do parto. Se o exames mostrarem que o bebê não está bem antes de 37 semanas, pode ser necessário ter o bebê mais cedo.

Como é o manejo da pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade geralmente é tratada no hospital. Quando a gestante já tem pelo menos 34 semanas de gravidez, é recomendável a interrupção da gestação assim que a condição materna esteja estável. Se o bebê ainda tiver menos de 34 semanas e se a condição materna se estabilizar, pode ser possível esperar um pouco mais para o nascimento do bebê. Sempre que possível, antes de interromper a gestação precocemente deve-se administrar corticosteróides para ajudar os pulmões do bebê a amadurecerem. A gestante também receberá outras medicações com o intuito de reduzir a pressão arterial e prevenir convulsões (eclâmpsia). Mas se a condição da gestante ou do bebê piorar, pode ser necessário interromper a gestação imediatamente.

Que passos posso tomar para ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia?

A prevenção envolve identificar os fatores de risco para pré-eclâmpsia e tomar medidas para lidar com esses fatores. Por exemplo, se a futura gestante tem você tem hipertensão, o ideal é que antes de engravidar ela consulte um profissional de saúde. Ele realizará um check-up saber se sua hipertensão está sob controle ou se gerou alguma complicação. Se a futura gestante está com sobrepeso, a dietas e exercícios fïsicos devem ser iniciados antes da tentativa de gravidez, com o objetivo de perder de peso. Se a mulher tem outra condição médica, como diabetes, geralmente é recomendado que essa condição seja bem controlada antes de engravidar. Por esses e outros motivos é que sempre aconselhamos uma consulta pré-gestacional. Fonte: ACOG – Preeclampsia and High Blood Pressure During Pregnancy
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