O que é gravidez ectópica?

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Gravidez ectópica pode ser definida como uma gravidez em que o óvulo fecundado pelo espermatozoide se instala e desenvolve fora do útero. Uma gestação não pode se desenvolver nessas condições e ainda representa um risco importante para a mulher, pois, à medida que a gravidez se desenvolve, pode romper, causando dor intensa e hemorragia interna. De acordo com estimativas, cerca de 1% da população feminina em idade fértil desenvolve uma gestação ectópica. Segundo o Ministério da Saúde, em 2016 foram registradas no Brasil cerca de nove mil internações nos hospitais devido a esse motivo.

gravidez-ectopica-instituto-villamil-2Comparação entre gravidez habitual e gravidez ectópica. Fonte: RCOG.

  A maioria das gestações ectópicas se desenvolve nas tubas uterinas. Porém em casos mais raros (cerca de 3 a 5 em cada 100 gestações ectópicas), ela pode se desenvolver em outros locais, como nos ovários, no colo do útero ou na região de transição entre as tubas e a cavidade uterina.

gravidez-ectopica-instituto-villamil-3Possíveis localizações de uma gestação ectópica. Fonte: RCOG.

Quais os fatores de risco para uma gravidez ectópica?

Toda mulher apresenta risco de ter uma gestação ectópica. Entretanto, existem alguns fatores ou condições que podem aumentar essa chance, como:
  • História de gravidez ectópica anterior.
  • Tabagismo.
  • Alteração nas tubas uterinas, como: infecções sexualmente transmissíveis (entre elas, a doença inflamatória pélvica) ou cirurgia anterior nas tubas.
  • Engravidar em uso do DIU (dispositivo intrauterino).
  • Gestação resultado de algum método de reprodução assistida, como FIV (fertilização in vitro) ou ICSI (injeção intracistoplasmática de espermatozoides).

Quais são os sintomas de uma gravidez ectópica?

Cada mulher é afetada de maneira diferente por uma gestação ectópica. Dessa forma, algumas mulheres não apresentam sintomas, enquanto outras apresentam muitos sintomas. A maioria das mulheres vai desenvolver sintomas físicos na sexta semana de gravidez (cerca de 2 semanas após a ausência da menstruação). Os sintomas mais comumente apresentados são dor na parte inferior do abdome e sangramento vaginal. Além deles, a paciente pode apresentar também diarreia. Nos casos de evolução mais grave, dor abdominal intensa (devido à possível rotura da gravidez ectópica) e dor na ponta do ombro (causada pela presença de sangue no abdome).

gravidez-ectopica-instituto-villamil-4Dor abdominal é um sintoma comum na gravidez ectópica.

Como é feito o diagnóstico da gravidez ectópica?

A maioria das gestações ectópicas é suspeitada entre seis e dez semanas de gravidez. Às vezes, o diagnóstico é feito rapidamente. No entanto, nos primeiros estágios da gravidez, pode demorar (uma semana ou mais) para fazer um diagnóstico da gravidez ectópica. Além dos dados clínicos relatados pela paciente, e das informações que o médico consegue coletar com o exame físico, para o diagnóstico de gestação ectópica é importante um exame de gravidez positivo (já que muitas pacientes podem só descobrir a gestação quando manifestam os sintomas de uma gravidez ectópica, como dor abdominal e sangramento). Também é importante a realização de um ultrassom endovaginal, para ajudar na localização exata da gravidez.

gravidez-ectopica-instituto-villamil-5Presença de gestação ectópica em ultrassom. Fonte: RIOS et al, 2019.

Se o diagnóstico ainda não for claro, uma operação sob anestesia geral chamada laparoscopia pode ser necessária. O médico usa um pequeno telescópio para olhar a pelve fazendo um pequeno corte, geralmente no umbigo. Nesse caso, se a gravidez ectópica for confirmada, o tratamento pode ser realizado como parte da mesma operação.

Quais são as opções para o tratamento da gravidez ectópica tubária?

Como uma gestação ectópica não pode levar ao nascimento de um bebê, todas as opções encerrarão a gravidez a fim de reduzir os riscos para a saúde da mulher. As opções dependem da idade gestacional, nível de βhCG, sintomas e condições clínicas da paciente e status de fertilidade da mulher. Além disso, deve-se considerar as opções disponíveis no hospital onde a paciente procurou atendimento. Dentre as opções, estão:

– Conduta expectante

A gravidez ectópica às vezes termina sozinha – semelhante a um aborto espontâneo. Dependendo da situação clínica da paciente, pode ser possível monitorar os níveis de βhCG com exames de sangue a intervalos de alguns dias até que voltem ao normal. A conduta expectante não é uma opção para todas as mulheres. Geralmente, isso só é possível quando a gravidez ainda está nos estágios iniciais e quando há poucos ou nenhum sintoma. Por isso, as taxas de sucesso com a gestão expectante são altamente variáveis ​​e variam de 30% a 100% e dependem de uma série de fatores, como os níveis de βhCG.

– Tratamento medicamentoso

Em certas circunstâncias, uma gestação ectópica pode ser tratada com medicamentos, sendo o metotrexato o mais comumente utilizado. Dessa forma, ele evita que a gravidez ectópica cresça e leva à um desaparecimento gradual da gestação. Se a gravidez ultrapassar os estágios iniciais ou se o nível de βhCG estiver alto, o metotrexato terá menos probabilidade de ter sucesso. Segundo estudos, sete em cada 100 mulheres (7%) precisarão de cirurgia, mesmo após o tratamento médico. Dentre os efeitos colaterais do uso do metotrexato, muitas mulheres sentem dor abdominal nos primeiros dias após o uso, mas isso geralmente desaparece com o uso de analgésicos. Caso seja optado pelo uso desse medicamento, o acompanhamento regular da paciente é de extrema importância. É importante deixar claro também que o tratamento da gravidez ectópica com metotrexato não afeta a capacidade dos ovários de produzir óvulos. Entretanto, é aconselhável esperar 3 meses após a injeção antes de tentar outra gravidez.

– Tratamento cirúrgico

O objetivo da cirurgia é remover a gravidez ectópica. O tipo de operação que será feita depende da condição clínica da paciente, dos desejos ou planos para uma futura gravidez e das possibilidades do hospital onde será feito o tratamento.
  • Laparoscopia ou cirurgia por vídeo: nesses casos, a permanência no hospital é mais curta (24 a 36 horas) e a recuperação física é mais rápida do que após a cirurgia aberta.
  • Cirurgia aberta (conhecida como laparotomia): é feita através de um corte maior no abdômen e pode ser necessário se houver suspeita de sangramento interno grave. Nessa situação, a permanência no hospital é de cerca de 2 a 4 dias.

gravidez-ectopica-instituto-villamil-6Videolaparoscopia pode ser realizada no tratamento da gravidez ectópica.

Para ter uma maior chance de uma gravidez futura dentro do útero e para reduzir o risco de ter outra gestação ectópica, geralmente a conduta envolve a remoção da tuba uterina afetada (cirurgia conhecida como salpingectomia). Contudo, se a paciente tem apenas uma tuba uterina ou se a outra tuba não parece saudável, pode ser optado por uma cirurgia conhecida como salpingostomia, que visa remover a gravidez sem remover a tuba. Isso acarreta um risco maior de uma futura gestação ectópica, mas significa que a paciente ainda pode ter uma gravidez no útero no futuro. Em uma situação de emergência, com a ruptura da gravidez tubária ou não tubária, uma cirurgia de emergência é necessária para estancar o sangramento, com a remoção da tuba uterina rompida e a gravidez. Nesses casos, a paciente pode ainda necessitar de uma transfusão sanguínea, devido à perda de grande quantidade de sangue.

O que acontece depois de uma gravidez ectópica?

O impacto de uma gravidez ectópica pode ser muito significativo, pois significa perder uma gestação que pode ter sido muito desejada. Outros impactos envolvem a influência na fertilidade futura ou até mesmo a percepção de que a paciente poderia ter perdido sua vida. É importante lembrar que a gravidez não poderia ter continuado sem causar um sério risco à saúde da paciente. Nesse contexto, cada mulher lida à sua maneira com a situação. Se há um desejo de engravidar novamente, antes de tentar ter outro bebê, é importante esperar até que a paciente se sinta pronta emocional e fisicamente. Por mais traumática que tenha sido a experiência da gravidez ectópica, é importante saber que a probabilidade de uma gravidez normal da próxima vez é muito maior do que a de outra gravidez ectópica. Se não há o desejo de engravidar, é importante consultar o médico para planejamento contraceptivo, pois algumas formas de contracepção podem ser mais adequadas após uma gravidez ectópica.

gravidez-ectopica-instituto-villamil-7Uma nova gravidez após uma gestação ectópica é totalmente possível.

Assista a nossa live sobre “Como se preparar para engravidar”:

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