Infertilidade Imunológica: você sabe o que é?

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A infertilidade imunológica pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres, e é causada por  distúrbios do sistema imunológico e pelas doenças autoimunes.

Frequentemente, o diagnóstico de infertilidade imunológica é difícil. Entretanto, estima-se que aproximadamente 20% dos casos de infertilidade não explicada sejam devido a causas imunológicas.

 

PAPEL DO SISTEMA IMUNOLÓGICO

O sistema imunológico é composto por várias células, moléculas e mecanismos que protegem o corpo de agentes externos, como vírus e bactérias que causam doenças no ser humano.

Infelizmente, nosso sistema imune não é perfeito. Às vezes, ele não consegue distinguir o que é próprio do nosso corpo e o que é agente externo. Nessas ocasiões, as células de defesa podem atacar as células do nosso próprio corpo, e essa anormalidade causa as chamadas doenças autoimunes.

 

A GESTAÇÃO

A gestação é uma situação especial para o corpo da mulher, que vai alojar por 9 meses um “corpo estranho”: o bebê.

 Como o sistema imunológico do embrião é diferente do sistema imunológico da mulher grávida, já que o organismo do embrião possui também genes do pai, as células de defesa da mulher não os reconhecem.

A princípio, para a gestação ocorrer de forma normal, o sistema imune da mulher desenvolve principalmente um mecanismo de tolerância imune com a finalidade de não atacar o embrião.

Na verdade, é o próprio embrião que avisa a mãe. Como resultado, ocorre a expressão de um antígeno chamado HLA-G, com o intuito de “apagar” células do sistema imune para o embrião continuar crescendo no útero.

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O sistema imune da mulher durante a gestação

SINTOMAS DA INFERTILIDADE IMUNOLÓGICA

Sem dúvida, o sintoma mais óbvio da infertilidade imune é a impossibilidade de conceber. Normalmente, quando a mulher ou o casal tentar conceber por no mínimo 1 ano sem sucesso, eles visitam um médico especializado em reprodução humana para procurar as possíveis causas.

A princípio, há alguns sintomas mais frequentes que podem indicar que o sistema imune não esteja funcionando de forma adequada, como alergias, erupções cutâneas (rash), dores musculares e nas articulações e cansaço extremo.

Muitos estudos científicos demonstram que doenças autoimunes podem ter relação com desordens reprodutivas como endometriose, síndrome dos ovários policísticos e envelhecimento precoce dos ovários.

 

TIPOS DE INFERTILIDADE IMUNOLÓGICA

Existem muitas alterações do sistema imune, e infelizmente muitas delas podem afetar a fertilidade do homem e principalmente da mulher. Dessa maneira, o corpo da mulher pode reconhecer os espermatozoides do parceiro e/ou o embrião como um corpo estranho, o que pode levar a falha na implantação ou a um aborto no primeiro trimestre de gravidez.

Conheça abaixo os principais tipos de infertilidade imunológica em mulheres:

Anticorpos anti-espermatozoides

Essa é a forma mais comum de infertilidade imunológica em homens. Os anticorpos anti-espermatozoides são um grupo de proteínas que se ligam aos espermatozoides, e assim afetam sua habilidade de movimentação e de fertilização do óvulo.

Além disso, quando os anticorpos anti-espermatozoides se ligam aos espermatozoides, o corpo os identifica como invasores, e as células de defesa os atacam.

Esse tipo de anticorpo pode estar presente tanto no organismo da mulher quanto no do homem, mas as causas são diferentes em cada caso:

  • Em homens: nesses casos, a barreira entre o sangue e o testículo se rompe devido a varicocele, a infecções seminais ou a torção testicular. Os anticorpos anti-espermatozoides  podem estar presentes tanto no sangue quanto no sêmen.
  • Em mulheres: ocorre devido a infecções sexualmente transmissíveis, endometriose, cervicite, entre outras causas. Os anticorpos anti-espermatozoides se localizam no muco cervical e impedem que o espermatozoide chegue até o óvulo.
Infertilidade imunológica na mulher relacionada aos anticorpos anti-espermatozoides

 Trombofilias hereditárias

Trombofilia é um distúrbio autoimune que leva o corpo a desenvolver coágulos sanguíneos anormais nos vasos. Particularmente, a trombofilia ocorre por causa da ausência de anticoagulantes naturais, e também por causa da presença de mutações no sistema anticoagulante.

Existem vários tipos de trombofilias que são consideradas causas de infertilidade imunológica, como por exemplo a deficiência de proteína C, a deficiência de antitrombina e o fator V de Leiden.

Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF)

Os anticorpos antifosfolípides podem estar no sangue materno, e levam a um estado de hipercoagulabilidade. Consequentemente, isso leva a formação de trombos na placenta, que atrapalham a nutrição do feto e levam ao aborto.

Existem mais de 20 tipos de anticorpos antifosfolípides, ao passo que os mais importantes são o anticoagulante lúpico e o anticorpo anticardiolipina. É provável que esse tipo de infertilidade imunológica seja a causa de aproximadamente 15% dos casos de abortos recorrentes.

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Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo e formação de trombos

Disfunção de implantação aloimune

Nesse tipo de infertilidade imunológica, o sistema de defesa da mulher reconhece o embrião como um invasor. Como resultado, o organismo materno cria anticorpos contra o tecido que expressa proteínas que vieram do material genético do pai.

Assim sendo, a implantação do embrião não ocorre, ou quando ocorre comumente resulta em aborto.

 

REPRODUÇÃO ASSISTIDA E INFERTILIDADE IMUNOLÓGICA

A reprodução assistida vai ser necessária em todos os casos de anticorpos anti-espermatozoide.

Inseminação intrauterina: é indicada se os anticorpos que se ligam ao espermatozoide são achados no muco cervical, especialmente no cérvice. Nessa técnica, um catéter insere a amostra de espermatozoide diretamente no fundo uterino. Assim, os espermatozoides não entram em contato com os anticorpos.

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Inseminação intrauterina: o catéter coloca os espermatozoides no fundo do útero

 Fertilização in vitro: é o tratamento de escolha se a quantidade de anticorpos anti-espermatozoides é grande ou se eles estão espalhados pelo sistema reprodutor da mulher. Aqui, o espermatozoide é injetado diretamente no óvulo, com o propósito de eliminar qualquer interação com os anticorpos.

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Técnica de fertilização in vitro: o espermatozoide é injetado diretamente no óvulo

 A princípio, as trombofilias podem ou não exigir um tratamento de fertilidade. Portanto, se não há dificuldades para conceber, a gestante pode fazer um tratamento com medicamentos anticoagulantes durante a gestação.

Texto adaptado de inviTRA – What Is Immune infertility? Treatment & Pregnancy Options

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