Como utilizar o vácuo-extrator: técnica para obstetras

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Os benefícios do vácuo-extrator  com o fórceps incluem facilidade de utilização e menor necessidade de analgesia/ anestesia. Além disto, também apresenta menor risco de lacerações.

O  vácuo-extrator é um instrumento de flexão e de tração. Uma uma sucção é criada dentro de uma ventosa colocada no couro cabeludo fetal, de modo que a tração no pólo cefálico auxilie na expulsão fetal.

Ele é composto por uma ventosa,  que pode  ser rígida ou não rígida, um sistema de tração e uma bomba manual criadora de vácuo, responsável por criar uma pressão negativa entre a campânula e a apresentação fetal.
• As campânulas não rígidas, em comparação com as rígidas, causam menos lesões
no couro cabeludo neonatal; no entanto, destacam-se com mais freqüência, com
falha maior no que diz respeito à taxa de partos vaginais.
• Usualmente, utilizamos as campânulas rígidas plásticas (Kiwi) por apresentar
menor incidência de lesão do escalpe fetal quando comparadas com as metálicas e
ter uma maior taxa de sucesso quando comparadas com as não rígidas.

Técnica de aplicação do vácuo extrator

A aplicação do vácuo extrator requer um conhecimento perfeito da mecânica obstétrica.
A técnica correta de utilização, favorece a flexão da cabeça fetal e a descida da apresentação,
replicando o mecanismo normal do parto.

Antes da aplicação

Antes de iniciar a aplicação, o profissional responsável deve revisar as condições de
aplicabilidade e se guiar pela mneumônica ABCDE.

A: Solicitar Ajuda

aos demais profissionais da sala de parto e comunicar ao centro
cirúrgico (caso ocorra falha do método).
Avisar a paciente, comunicando o motivo da indicação e solicitando que a mesma
trabalhe em conjunto com o profissional durante as contrações.
Analgesia adequada: o vácuo requer menor necessidade de realizar analgesia, pois
a ventosa não aumenta a circunferência cefálica. Uma opção rápida e segura seria a
realização do bloqueio do nervo pudendo.

B: Bexiga vazia

passar sonda vesical de alívio quando necessário.

C: Colo

Colo com dilatação total + bolsa rota: realizar amniotomia quando necessário.

D: Determinar

Determinar a variedade de posição: definir com clareza a posição da sutura sargitale da fontanela posterior.
Alerta para Distocia de ombros ou incompatibilidade feto – pélvica

 

E: Equipamento checado

Testar funcionamento da bomba de vácuo antes da aplicação.

F. Anterior: losango

F. Posterior: Y

Fonte: Clinical INNOVATIONS

 

Tempos operatórios

Etapa 1. Localize o ponto de flexão e calcule a distância

• O ponto de flexão fica localizado sobre a sutura sagital a 3 cm da fontanela posterior.

• O posicionamento correto facilita a flexão, a descida e a rotação da apresentação, pois
maximiza a tração e minimiza o desprendimento da campânula. Além disso, reduz os
riscos de lesão no feto e nos tecidos moles do canal de parto por oferecer o menor
diâmetro da cabeça através da saída pélvica.

 

Fonte: e Williams Obstetrics, 25th edition

Etapa 2. Segure e insira o vácuo-extrator

• Com sua mão dominante, insira a ventosa até a distância medida na etapa 1. Com a outra
mão, rebaixe os pequenos lábios da vulva.

Etapa 3. Fixar a ventosa sobre o ponto de flexão

• A campânula está corretamente posicionada quando uma distância de pelo menos 3 cm
pode ser palpada entre o bordo anterior da campânula e a fontanela anterior e a sutura
sagital passa no centro da mesma.

Fonte: Clinical INNOVATIONS

Etapa 4. Criar o vácuo e excluir tecido materno

• Depois de aplicar a ventosa, faça uma varredura (com o dedo indicador) ao redor dos
limites da campânula para verificar que não há tecido materno interposto entre a
campânula e o escalpe fetal, se presente, retire a ventosa e aplique novamente.

• Após a ceificação de que a campânula se encontra sobre o ponto de flexão e excluindo
tecido materno, deve-se utilizar a bomba de vácuo até obter a pressão recomendada
(450-600 mmhg).

Fonte: Clinical INNOVATIONS

Coloque a ‘ranhura’ e a haste do copo às 12 horas, isso permite visualizar a rotação.  Bombear até esconder  por completo o verde

 

Etapa 5. Iniciar tração

• A tração deve ser iniciada no momento da contração uterina em conjunto com a manobra
de valsava por parte da gestante.
• O operador deve utilizar as duas mãos para efetuar a tração. Uma para fazer a tração
(mão que puxa) e a outra que monitoriza a progressão (a mão que não puxa). A mão
dominante deve ser utilizada para tracionar, tendo como função direcionar a força no
eixo-pélvico (oferecendo os menores diâmetros para a descida da apresentação). A mão
não dominante faz uma pequena contra-tração (com o polegar) ao mesmo tempo que
monitora a descida da apresentação e confirma se a grávida tem esforços expulsivos
adequados (indicador sobre o escalpe fetal à frente da campânula).

 

Fonte: Clinical INNOVATIONS

• A tração não deve ser continuada entre contrações ou quando a mãe cessar os esforços
expulsivos.
• É importante relembrar que a pelve e o canal de parto são curvos, sendo que a parte
superior faz um eixo de 90 graus com a parte inferior, e que esta curvatura deve ser
seguida quando se instrumenta um parto.
• Quando a ventosa é visível na vulva, significa que já passou pelos maiores diâmetros da
apresentação fetal (diâmetro biparietal). O operador deve manter a tração horizontal (ou
levemente para baixo) e iniciar a proteção perineal (com a mão não dominante).
• Quando a cabeça fetal estiver coroando, a sucção deve ser desfeita e a campânula
removida.
Fazer movimento em forma de J

Fonte: Lourenço, C. et al. Ventosa Obstétrica: Uma Revisão da Literatura. Arq Med, Porto , v. 26, n. 6, p. 254-263,
dez. 2012 .

QUANDO SUSPENDER O PROCEDIMENTO

• Desencaixar a ventosa 3 vezes (quando aplicada a técnica correta). À medida que o
número de destacamentos aumenta, também aumenta a incidência de abrasões,
lacerações e edema do escalpe.
• Ausência de progressão em 3 contrações consecutivas.
• Não exceder 20 minutos de aplicação total.

COMPLICAÇÕES DO VÁCUO-EXTRATOR

• Maternas: lacerações vaginais ou em colo uterino são as complicações mais precoces.
Tardiamente, pode ser evidenciado retenção e incontinência urinária, incontinência anal
e re-hospitalização (com menor incidência em comparação com o parto instrumental por
fórceps).
• Recém – nascido: ocorrem em cerca de 5% dos casos e incluem lacerações no couro
cabeludo: céfalo-hematoma, hemorragia intracraniana, hemorragia retinal,
hiperbilirrubinemia e lesão neurológica. Complicações neonatais graves são raras. Estimase que a taxa de hemorragia intracraniana após o parto vaginal operatório seja de um
para cada 650 a 850 nascidos vivos.

 

PROCEDIMENTOS FINAIS

• Revisão de colo e das paredes vaginais: sutura de eventuais lacerações;
• Episiorrafia;
• Toque retal: realizar antes e depois da episiorrafia. Não esquecer de trocar as luvas;
• Examinar recém-nascido: dão indícios da precisão de aplicação;
• Conversar com a mãe no 1º dia: suas impressões, suas dúvidas;
• Fazer paracetamol ou AINE como analgesia, se não tiver contraindicação, se necessário;
• Tromboprofilaxia apenas se houver risco de trombose venosa profunda – TVP;
• Monitorar diurese até 12 horas pós-parto principalmente se a analgesia regional for
realizada. Em casos de retenção urinária, avaliar volume residual;
• Seguimento pós-parto deve ser feito nesta unidade. Fisioterapia pélvica deve ser
oferecida com intuito de prevenir incontinência urinária.

 

REFERÊNCIAS

1. Advanced Life Support in Obstetrics – ALSO. Parto Vaginal Assistido. Advisory Board, 4ª
edição, 2000-2001.
2. Rather, H., Javaid, M., Luxmi, V., Sivanesan, K. fte art of performing a safe forceps delivery:
a skill to revitalize. European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive
Biology 199 (2016) 49–54.
3. Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. Opera- tive Vaginal Delivery. RCOG
Green-top Guideline No. 26. Ja- neiro, 2011.
4. Zugaib, M. Zugaib Obstetricia. 2a edição – Barueri-SP/Manole, 2012.
5. Tonismae T, Canela CD, Gossman W. Vacuum Extraction. [Updated 2020 Aug 16]. In:
StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-.
6. LOURENCO, Cátia et al . Ventosa Obstétrica: Uma Revisão da Literatura. Arq Med, Porto,
v. 26, n. 6, p. 254-263, dez. 2012 . Disponível em
<http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-
34132012000600004&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 23 set. 2020.
7. Cunningham, F. Gary; Leveno, Kenneth J.; Bloom, Steven L. et al. Williams Obstetrics, 25th
edition. 2018.

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