Cesariana: o que ninguém te contou

O parto cesariano deve ocorrer em situações específicas. Saiba mais sobre ele.

A cesariana é um procedimento cirúrgico que serve para extrair o bebê “à força” do útero de sua mãe, por via abdominal, ou seja, para o nascimento do bebê por um lugar que não seja pela vagina. Ela é caracterizada por um pequeno corte que é feito acima do púbis da mãe.  Esse corte começa no abdômen e termina no útero e, ao todo, para haver esse parto, o cirurgião precisa passar por sete camadas de tecido e, finalmente, alcançar o bebê ali dentro. A recomendação dessa cirurgia sempre deve ocorrer quando houver riscos envolvidos. Então, a não realização da cesariana coloca as duas vidas em perigo (mãe e bebê) nesses casos nos quais ela é imprescindível de ocorrer.

MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A CESARIANA?

Primeiramente, é necessário você compreender que a cesariana é uma cirurgia, ou seja, é um método invasivo e que expõe a mulher a diversas complicações, como o maior risco de infecções. Então, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cesariana deve ocorrer quando o parto normal puder causar complicações ou trazer risco de vida, tanto para a mãe, quanto para o bebê. 

Portanto, a cesariana deve ser realizada quando ela realmente for necessária, a fim de evitar um problema grave para o feto ou para a mãe, ou seja, quando realmente o parto natural não é/está sendo viável e está causando, por exemplo, o estado fetal não tranquilizador.  

COMO É A CESARIANA?

Em primeiro lugar, a cesárea pode acontecer antes ou depois da mamãe já ter entrado em trabalho de parto. Em qualquer um dos casos, a primeira coisa a se fazer é colocar a mamãe para se sentar e aplicar nela a anestesia em sua coluna vertebral. Após isso, haverá a colocação de um cateter nela para favorecer a administração da medicação e a aplicação de uma sonda, para conter a urina, também vai ocorrer.

Em segundo lugar, o próximo passo vai ser a realização, pelo médico, de um corte de, aproximadamente, 12 centímetros na parte inferior do abdômen, perto da “linha do biquíni”. Há o corte de cerca de 7 camadas de tecido para alcançar o bebê.

Em terceiro lugar, quando o médico retirar o bebê de dentro da barriga da mãe, o pediatra avaliará se a respiração do bebê está correta. Na medida em que o médico retira a placenta, a enfermeira pode mostrar o pequenino para a sua mamãe e promover esse primeiro contato entre eles.

Por fim, a última etapa da cesariana é fechar os cortes. Para isso, o médico deverá costurar todas as camadas de tecido que ele cortou durante o parto. 

Passo a passo da cesárea.
Após passar pelas etapas, mais ao final da cirurgia, a mãe pode segurar o seu bebê em seu colo.

QUAIS OS RISCOS DA CESÁREA?

Primeiramente, vocês não podem se enganar pensando que realizar uma cesariana é algo  simples e fácil de fazer. Muito pelo contrário: realizar uma cesárea não deve ser tão comum e recorrente quanto ocorre no Brasil. Inclusive, devido ao grande número de incidências oriundas de cesarianas desnecessárias, o Ministério da Saúde lançou no ano de 2016 novas diretrizes sobre a realização do parto cesárea visando, assim, aumentar a ocorrência de partos normais. 

15 dicas para evitar uma cesárea desnecessária

Logo, adotar as diretrizes acima é necessário, porque realizar uma cesárea, sem haver uma recomendação dela, é tão arriscado quanto não realizar a operação em casos de necessidade.

Alguns dos riscos aumentados, quando há a realização de uma cesárea, são:

  • Infecção, 
  • Hemorragia, 
  • Morte ou morbidade pela anestesia, 
  • Risco de desenvolver uma endometriose,
  • Risco de haver um acretismo placentário, 
  • Riscos associados à saúde do bebê, como a ocorrência de problemas respiratórios.
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Ademais, é válido ressaltar que essa cirurgia em questão também afeta o contato da mãe com o seu bebê. Um exemplo que justifique isso seria o leite demorar mais para descer quando o parto for cesariana. Isso ocorre, pois, como esse tipo de parto não é “natural”, ou seja,  a saída do bebê será via uma cirurgia, a mãe não irá liberar os hormônios necessários para o aleitamento ocorrer, como a prolactina e ocitocina, durante o parto. Como consequência disso, haverá malefícios para a amamentação e o contato da mãe com o seu bebê, pois o cérebro não receberá de imediato uma “mensagem” informando que o bebê nasceu e, consequentemente, o leite não irá descer tão instantâneo.

QUANTAS HORAS TEM QUE FICAR EM JEJUM ANTES DA CESÁREA?

Os especialistas recomendam que antes dessa cirurgia a mulher faça um jejum de 4 horas de alimentos líquidos e 8  horas de alimentos sólidos.

Cesárea: E se essa for a minha escolha?

QUANTO TEMPO DEMORA PARA FAZER UMA CESÁREA?

A realização de uma cesariana é variável. Tudo depende individualmente do quadro da mulher que irá passar por essa cirurgia:

  • Depende se é a primeira cesariana ou se há cesarianas anteriores. 
  • Há também o fator a ser considerado de se é uma cesariana em ausência ou em trabalho de parto. 

Mas, no geral, fazer uma cesárea varia entre 30 a 60 minutos.

QUAL A REALIDADE DO BRASIL EM RELAÇÃO À QUANTIDADE DE CESARIANAS REALIZADAS?

Segundo a OMS, o número ideal de realização de cesáreas deve ser cerca de  10% a 15%. A realidade do Brasil é muito diferente do ideal que a OMS determina.

Dessa forma, os dados do Ministério da Saúde relatam ainda que aproximadamente 40% dos partos que ocorrem na rede pública no Brasil são cesáreas. Mas, esse número que já está alto, ainda consegue ser maior na rede particular, chegando a 85%.  

 

A cesariana é feita, em muitos casos, sem necessidade.
No Brasil, na grande maioria dos casos, a realização desse procedimento ocorre sem haver necessidade e há a exposição da mãe e do bebê a diversos riscos.

É POSSÍVEL TER UM PARTO NORMAL DEPOIS DE UMA CESÁREA? 

A frase “uma vez cesariana, sempre cesariana” é muito comum. A dúvida e o “tabu” acerca da realização de um parto normal, após uma cesárea, é muito frequente. 

Porém, atenção: no geral, SIM, o chamado  “Vaginal Birth After Cesarean” ( VBAC) ou parto vaginal após cesárea é possível. Isso mesmo que você leu, apesar de muitas pessoas acreditarem que mulheres que já realizaram uma cesárea não podem, em uma outra gestação, ter um parto normal, elas estão enganadas. O mito de ” uma vez cesariana, sempre cesariana” está associado ao fato de possíveis riscos existentes ocorrerem. No entanto, esses riscos não necessariamente irão impedir um parto normal de ocorrer, após uma cesárea.

É possível ter um parto normal após cesárea?

QUAIS SÃO OS RISCOS DE EU REALIZAR UM PARTO NORMAL APÓS JÁ TER REALIZADO UMA CESARIANA ?

A realização de um parto normal, após cesárea, apresenta alguns riscos como infecção, hemorragia e outras complicações. Um risco raro, porém grave, é a ruptura uterina, ou seja, a cicatriz presente no útero, decorrente da cesariana prévia, se romper. Embora seja rara, essa complicação é muito grave e pode prejudicar, tanto a mãe, quanto o bebê. 

É válido ressaltar que, atualmente, os riscos da realização de um parto normal, após a mulher já ter tido uma cesariana previamente, são pequenos. Assim, estima-se que menos de 1%, ou seja, uma probabilidade de 1 a cada 1000 mulheres podem sofrer com essa ruptura uterina. No entanto, quando se identifica algum risco adicional à ruptura uterina, o parto vaginal não deve ser indicado.

Apesar desse pequeno risco, a OMS  indica que deve e pode haver cerca de  60% a 80% de submissão das gestantes a um parto normal, depois da primeira cesárea, sem riscos graves para a saúde da mãe e do bebê. Logo, o VBAC pode e é perfeitamente possível de ocorrer.

ATENÇÃO: cada caso é um caso, cada mulher é individual. Então, cada uma possui um quadro de saúde diferente da outra e é muito importante que o obstetra saiba e compreenda os motivos da cesariana prévia, a forma que ela ocorreu , para que assim, ele consiga avaliar as circunstâncias da atual gestação e a possibilidade e a segurança em relação à realização de um parto normal.

 

"Uma vez cesárea, sempre cesárea" é um mito!
A realização de um VBAC é completamente possível, não acredite no mito de “uma vez cesariana, sempre cesariana”!

POR QUE DURANTE UM VBAC A MINHA CICATRIZ UTERINA PODE SE ROMPER?

 É fato que na cesariana o médico realiza o corte no útero, para haver a saída do bebê e, nessa região, haverá a formação de uma cicatriz. Essa cicatriz é caraterizada por ser  uma região de tecido mais frágil e suscetível a romper quando as contrações do útero se iniciarem durante o parto normal. Caso haja a ruptura, é necessário agir rapidamente para conter o sangramento.

Assim, mesmo o risco de haver uma ruptura uterina ser pequeno, ele deve ser considerado e o seu ginecologista-obstetra deve ter muito cuidado, pois esse risco é existente. Deve-se haver a análise de qual foi o tipo de corte realizado no seu útero e apenas observar a cicatriz na pele é inviável saber isso, esse detalhe tão importante. Então, a realização dessa análise mais minuciosa é possível, através dos registros médicos da cesariana anterior, por isso é importante levá-los ao seu obstetra, para que ele possa analisá-los.

QUAIS SÃO OS DIFERENTES TIPOS DE CORTES DA CESÁREA E QUAL A RELAÇÃO DELES COM OS RISCOS DURANTE UM VBAC?

Como já citado anteriormente, a cesariana é uma cirurgia e, após a sua realização, haverá uma cicatriz não somente na pele, mas também uma cicatriz no útero, ou seja, dentro do abdome. Essa cicatriz do útero pode ser de diferentes formas, e o tipo dela irá determinar uma maior ou menor chance de rompimento uterino durante trabalho de parto.

Diante disso, o tipo de cicatriz depende do tipo de corte (incisão) no útero, sendo eles:

  • Transversal baixa: É um corte de lado a lado, feito na parte inferior e mais fina do útero. Este é o tipo mais comum de incisão. Ele apresenta um menor risco, uma menor chance de ruptura uterina futura, durante um VBAC.
  • Vertical baixa: É um corte para cima e para baixo, feito na parte inferior e mais fina do útero. Este tipo de incisão está associada a um risco alto de ruptura uterina, se comparado a uma incisão transversal baixa.
  • Vertical alta: Também chamada de “clássica”, é um corte para cima e para baixo, feito na parte superior do útero. Isso, às vezes, é feito para cesariana, nas quais os bebês ainda são muito prematuros. Esse tipo de corte apresenta o maior risco de ruptura uterina futuramente, durante um VBAC.
O corte é determinante na hora de se ter um VBAC.
O corte realizado no seu útero, vai ser muito importante para determinar o risco de você ter um VBAC.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DE SE REALIZAR UM PARTO NORMAL?

O parto normal, quando realizado com segurança e com o acompanhamento necessário e adequado,  possui muitos benefícios para a mãe e para o bebê. Assim, devemos considerar e respeitar que o parto é um evento fisiológico.

Logo, lembre-se também que esse tipo de parto, além de beneficiar diretamente a mãe e o filho, proporciona à mulher a oportunidade de ser protagonista em um momento tão especial e transformador.

  • Para a mãe:

    •  Beneficiar a amamentação. Uma vez que há a liberação de alguns hormônios, como a ocitocina e a prolactina, durante o trabalho de parto, eles irão acelerar a “descida” do leite. Então, logo ao nascer de seu bebê, a mãe já tem leite para ele.
    • A perda de sangue é consideravelmente menor, na maioria dos casos.
    • O período de recuperação do parto vaginal é mais curto que o da cesariana. Essa  rápida recuperação é algo muito importante de ocorrer.
    • Não será feita uma cirurgia, ou seja, sem os riscos de um procedimento invasivo, nem os cortes e as cicatrizes no abdome. 
    • Promove uma maior segurança para mulheres que planejam ter mais filhos, pois evita alguns problemas de saúde que são relacionados às múltiplas cesáreas.
  • Para o bebê:

    • Há o respeito pelo tempo que o bebê precisa para se preparar para nascer.
    • Um outro exemplo que justifica isso seria o fato de que devido às contrações do útero da mãe, durante o trabalho de parto normal, elas induzem o bebê, ao passar pelo canal vaginal, a produzir um hormônio chamado “cortisol”. Esse hormônio é muito importante para estimular  o bom funcionamento dos pulmões dessa criança que irá nascer.
    • Ao nascer pelo parto normal, ele será todo comprimido, o que incluiu o seu tórax . Como consequência, haverá a “expulsão”, via oral, do líquido amniótico que estava ali presente. Tudo isso proporcionará uma melhor respiração a ele, pois isso irá facilitar a ocorrência do seu primeiro suspiro ao nascer.
O parto natural apresenta muitos benefícios para a mãe e o bebê.
Assim,  você deve considerar que o mais importante para evitar complicações no parto é realizar um acompanhamento de qualidade durante o seu pré-natal, com um ginecologista-obstetra de sua confiança. Nunca se esqueça: a sua saúde e a do seu bebê deve sempre vir em primeiro lugar!

 

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